Estava com uma sede daquelas. Foi ao Tororó beber água, não achou. O que ela encontrou no meio do caminho foi um belo de um sapo doido para jogar conversa fora.
"Boa noite, Garota Legal Alien, o que você faz perdida por essas bandas?" Respondeu que precisava de líquidos, pois o cotidiano absorto rendia transpiração em excesso. "E o que a dispersa tanto, a ponto de fazer suar?", perguntou o anfíbio. Ela tentou explicar que era a vontade de decifrar eventos obscuros.
"Escute", coaxou o gosmento cheio de si, "esse problema de opacidade é uma querela besta que os calouros tentam resolver por meio da expressão. Só que a linguagem é um péssimo sistema de comunicação! Não é e não pode ser transparente. Não é e não pode ser esclarecedora. A gente até tenta. Mas é tudo una porquería, se é que você consegue acompanhar".
A garota tentava adivinhar qual era a do viscoso. Era simplesmente prolixo, estava altinho? Ou era ela... Legal Alien julgou-se estúpida e desidratada. Pediu desculpas por não poder continuar a interação, partir era uma necessidade fisiológica naquele momento.
O sapo, que estava carente, ficou que ficou revoltado: "Você acaba de despertar a minha ira, senhorita. Pois eu anoto agora mesmo o seu nome nesta página aqui, amarro debaixo da língua e tranco a boca. Mergulho com o papel no fundo do Rio Sena e por lá fico durante bom tempo. Não chego à superfície nem para respirar. Ou não me chamo Grenouille, você vai ver as consequências".
Até hoje ela se sente estranha e a sede não passa.
"Boa noite, Garota Legal Alien, o que você faz perdida por essas bandas?" Respondeu que precisava de líquidos, pois o cotidiano absorto rendia transpiração em excesso. "E o que a dispersa tanto, a ponto de fazer suar?", perguntou o anfíbio. Ela tentou explicar que era a vontade de decifrar eventos obscuros.
"Escute", coaxou o gosmento cheio de si, "esse problema de opacidade é uma querela besta que os calouros tentam resolver por meio da expressão. Só que a linguagem é um péssimo sistema de comunicação! Não é e não pode ser transparente. Não é e não pode ser esclarecedora. A gente até tenta. Mas é tudo una porquería, se é que você consegue acompanhar".
A garota tentava adivinhar qual era a do viscoso. Era simplesmente prolixo, estava altinho? Ou era ela... Legal Alien julgou-se estúpida e desidratada. Pediu desculpas por não poder continuar a interação, partir era uma necessidade fisiológica naquele momento.
O sapo, que estava carente, ficou que ficou revoltado: "Você acaba de despertar a minha ira, senhorita. Pois eu anoto agora mesmo o seu nome nesta página aqui, amarro debaixo da língua e tranco a boca. Mergulho com o papel no fundo do Rio Sena e por lá fico durante bom tempo. Não chego à superfície nem para respirar. Ou não me chamo Grenouille, você vai ver as consequências".
Até hoje ela se sente estranha e a sede não passa.
O labirinto do fauno (El laberinto del fauno, 2006)
de Guillermo del Toro
