Essa noite não preguei os olhos inundados de areia espinhosa, arranhados pela carga do sétimo selo. Me vi soterrada, devastada pela ausência de sentidos.
Mas a ciganagem me trouxe recompensa: um trio suave penetrou minha casa e valsou lindamente sobre os meus ombros. Amanheci em arrepios, a retorcer o pescoço em cócegas divertidas, como um caracol da alvorada.
Mas a ciganagem me trouxe recompensa: um trio suave penetrou minha casa e valsou lindamente sobre os meus ombros. Amanheci em arrepios, a retorcer o pescoço em cócegas divertidas, como um caracol da alvorada.
I. é a primeira do meu horizonte. A dona do nome faz jus, é incandescente e domina o céu. As beiras noturnas dessa pequena se emendam nos raios de sol. Nos amamos tanto, quase sempre até romper o dia, nossa rebeldia a dançar nas entranhas.
Henri é especial, só entendo a mente de um homem porque sei Henri em impressões, o tenho em sensações, as mais sublimes e as sórdidas. Pisamos as mesmas pegadas, somos afortunados. Não sei falar muito dele, apenas o sou, até na lágrima hidrocor.
Rudolf é meu doce afeto. Dele sou a Flor, mas abro mão do regador e da redoma. Só o vejo em desenhos, trocamos gotas de aroma, estou encantada. Rudolf é o meu melhor amigo imaginário, a evidência incontestável de minha insanidade. Mas sou criança e me permito.
As carícias dos três remediaram a dor que me consumia nessa noite branca, logo revertida em conforto.
Olivia Ruiz e Nouvelle Vague - Mala vida